A escrita é de outros tempos
Rainha era a caneta
Não vou passar a tocha
Se é fraco o estafeta
Trazemos água benta
Para expulsar o capeta
Um álbum sai p'ra fora
Há mais três na gaveta
Mentes que dão à luz
O nunca antes visto
Em nome de Jesus
Eu jamais serei Cristo
Um misto de emoções
Que no teu peito brotam
Dealema é para os que pensam
Aqueles que se importam
Todo aquele que não navega
Ao sabor do vento
'Tá a nadar contra a corrente
Do deslumbramento
Letras que valem mais
Que números que não contam
Damos-te pérolas raras
Que esses números não compram
Subida foi a pulso
Não viemos à boleia
Inspirados pelo amor
Rimamos sem plateia
Somos uma alcateia
Em noite de lua cheia
A fome é grande
E esta não vai ser a última ceia
Dealema é como o tempo
Chove conhecimento
É como a luz do sol
Que tu vês brilhar
Se um dia nos perdermos
Volto a este momento
P'ra que nos possamos
De novo encontrar
Corro no bairro
Como Rosa Mota
Quando a prosa brota bato record
Não há derrota
A minha tropa ataca,
Foca na caça
Expeão não há competição,
Que se foda a taça
As pedras da calçada
Choram ao nosso fado
Tentas vir contra nós
'Tás embriagado
Ataco
Como um guerreiro terracota
Se a tua rima não der moca
A gera volta
As tuas não batem
Nem aos ressacas
Testamos neles
A pura das ruas nefastas
Rimoxicodependentes
Overdose lírica
Linguística
Desafia as leis da física
O quiromântico
Eu venço com o espírito santo
E não me refiro ao banco
Milionário lírico assalto
Jesus
Cobre-me com o teu manto
Lava-me com o teu sangue sagrado
Fascinado
Passei p'a o outro lado
E voltei
Dealema é como o tempo
Chove conhecimento
É como a luz do sol
Que tu vês brilhar
Se um dia nos perdermos
Volto a este momento
P'ra que nos possamos
De novo encontrar
Quando a morte te encontrar
Que te encontre vivo
Abram os portões de fogo
Somos nós os cinco
Foi há trinta dezembros
Somos mais de trezentos (Gaia)
O mito é real
Dealema é de outros tempos
Gladiadores do coliseu
Filhos do submundo
Chave para a luz
Como o livro dos defuntos
Palavras dão chapadas
Como efeitos visuais
Não usamos tela verde
As rimas são reais
Nova Gaia, Invicta
Coragem e saúde
Iberico-latinos
Com uma puta de atitude
Escrita de Pessoa
Visão de Júlio Verne
Génio de Da Vinci
(Somos DLM)
Autores de poesia
Já não usamos vírgulas
Cortamos frases com verdades
Ao som de guilhotinas
Pintamos na tua memória
Salvadores Dali
A nossa biografia é história
Contada por ti
Dealema é como o tempo
Chove conhecimento
É como a luz do sol
Que tu vês brilhar
Se um dia nos perdermos
Volto a este momento
P'ra que nos possamos
De novo encontrar
Viaja do nível atómico
Até ao cósmico
Nostálgico, analógico
Mas vanguardista crónico
O algoritmo lírico
No teu sistema límbico
Labirintico
Quinto elemento sónico
Pedagógico
Surrealista patológico
Diagnóstico anti-extremista
(É lógico)
Cada conquista
Contra a vara chauvinista
Ridiculariza
Todo o discurso escatológico
(Antagonistas)
Refluxo ácido sarcástico
(Alquimistas)
Fluxo canónico Dealemático
Caligrafia clássica
Imaculada e única
Carga de tinta infinita
Na esferográfica
A pena sulca o papel
Assinatura explendida
Esquece o excel
Cibercultura rendida
Acólitos atónitos
Em estados catatónico
Poético afoito
Rimo até ficar afónico

