Um Gelado Antes Do Fim Do Mundo
Featuring: Sopa de Pedra
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Faixa #14 • 4:47 •

Letra de Souvenir

Intro - Capicua

Sejam bem-vindos à cidade sem memória

O nosso arrepiante parque de diversões onde ninguém habita

Mas é bem-vindo quem visita

Temos vinho do morto, pastéis do além e muito pastiche também

Os comboios são fantasma

Mas temos tuk-tuks, trotinetes e todo o tipo de traquitana

Comprem já os bilhetes, seus sacanas

E não se esqueçam de passar na loja dos souvenirs

Thank you

Verso 1 - Capicua

Nós somos os fantasmas da cidade sem memória

Os que já não pertencem mas recusam-se a ir embora

Ficámos com os restos е os ratos nas vielas

Ficámos com o lixo dos hotéis de 5 estrеlas

Falamos entre nós a língua estranha das gaivotas

E somos como os pombos, damos nojo aos agiotas

Vagamos pelas ruas e espreitamos à janelas

Que as casas 'tão compradas, não podemos reavê-las

Refrão - Sopa de Pedra

Nossa casa é souvenir

Nossa mesa é souvenir

Nosso fado é souvenir

Não nos resta mais porvir

Verso 2 - Capicua

Nós somos os fantasmas da cidade sem memória

Os que já não pertencem mas recusam-se a ir embora

Nossas vidas estão pintadas nas fachadas de azulejo

Nossas coisas são p'ra os outros objetos de desejo

As vitrines são bonitas mas não estamos no reflexo

Fomos com a tralha para o fundo do anexo

Cantamos por dinheiro o fado velho saudosista

Que só entretém os ébrios, os beatos e os turistas

Refrão - Sopa de Pedra

Nossa casa é souvenir

Nossa mesa é souvenir

Nosso fado é souvenir

Não nos resta mais porvir

Verso 3 - Capicua

Se não fosse a memória o que seria da cidade?

O acumular de sedimentos

A amálgama de sons, de corpos, de quotidianos

A sobreposição de camadas de tinta

A sucessão de desgastes e de restauros

É tudo feito da pura substância do tempo

Sem passado nada sobra na cidade

Apesar de nos venderem que a cidade é futuro, não é

Quando a cidade perde a memória caímos todos ao chão

É orfandade

Passamos avultos sem rumo nem propósito, almas penadas

Nas cidades sem memória não podemos encostar os ouvidos às paredes porque tudo é de cartão como num cenário

Nas cidades sem memória é a cidade que se abandona

Está tudo ao serviço mas ninguém cuida ou é cuidado

Ficamos todos, cada um por si, a ecoar no vácuo propagando o inaudível

E nem as lendas rezarão por nós porque as lendas também são memória

As cidades sem memória não têm costuras, é tudo colado a cuspo

Até porque a memória é como um fio e sem um fio nada se cose

Bridge - Sopa de Pedra & Capicua

Somos os fantasmas da cidade sem memória

Os que não pertencem mais aqui mas não vão embora

Somos os fantasmas da cidade sem memória

Os que não pertencem mais aqui mas não vão embora

Refrão - Sopa de Pedra

Nossa casa é souvenir

Nossa mesa é souvenir

Nosso fado é souvenir

Não nos resta mais porvir

Outro - Capicua

Vinho do morto, pastéis do além

Caixão de cortiça, não sobra ninguém

Vinho do morto, pastéis do além

Caixão de cortiça, não sobra ninguém

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