É uma certa morbidez
De ver sempre o lado mau
Como aqueles que param
Para ver os acidentes
Dizes que é só lucidez
E quem em ti é natural
Mas eu acho que é a mágoa
Que te suja as lentes
Uma certa sordidez
De ver sempre o que é pior
Como aqueles amantes
Descrentes no amor
Mas manténs a solidez
Que ta faz sempre maior
Do que a perda do que essa sombra
Do que essa dor
Apontas a lanterna para a cova
Ignorando o sol que bate na encosta
A montanha está iluminada mas nem notas
Se subisses vias a paisagem
Mas não gostas
As tuas sobrancelhas
São como as linhas do horizonte
Parecem concretas
Uma ponte
Parecem estar próximas
Ao alcance
Mas encerram a luz
Jurando o fim do mundo
E o buraco é fundo
É bem fundo
Esgravatas na terra
À procura das ossadas
Da tua história
Em busca de uns esfiapes
De fé e de memória
Para compor um sentido
Para dar um sentido
Para se tivesses sentido
Ou talvez pressentido
O que teria mudado
Nada
Nem meio cheio
Nem meio vazio
Um copo quebrado
Partido
De tanto brindarmos uma e outra vez
Ao meu optimismo
E à tua morbidez
O dia em que ele não veio, foi
Foi de tristeza p'ra mim
O dia em que ele não veio, foi
Foi de tristeza p'ra mim
Sereia do mar levou
Nem meio cheio, nem meio vazio
Um copo partido
Nem meio cheio, nem meio vazio
Um copo partido
Nem meio cheio, nem meio vazio
Um copo partido
Sereia do mar levou
É uma certa morbidez
De ver sempre o lado mau
Como aqueles que param
Para ver os acidentes
Dizes que é só lucidez
E quem em ti é natural
Mas eu acho que é a mágoa
Que te suja as lentes
Uma certa sordidez
De ver sempre o que é pior
Como aqueles amantes
Descrentes no amor
Mas manténs a solidez
Que ta faz sempre maior
Do que a perda do que essa sombra
Do que essa dor

