A revolução é como a primavera, regenera.
A nossa revolução aconteceu na primavera, pudera.
A nossa revolução tem nome de flor,
E toda a flor quer ser floresta.
Foi uma festa.
As ervas daninhas deixaram de ser pisadas.
As aves canoras deixaram de ser caladas.
As vinhas encheram mais copos para brindar a paz e fazer dançar os corpos.
As cearas de trigo passaram a dar mais pão,
Partilhado de mão em mão,
Porque aquela fome de cão, outra vez, nem mortos.
Mas passar à primavera,
Chegados à maturidade,
Se antes do que nos espera
Perante a calamidade,
Diante do longo inverno,
Do calor de mil infernos,
Diante da fúria dos elementos
Destes tempos incertos.
Haverá outra causa tão urgente
Como a sobrevivência?
Chegados aqui, conscientes,
Munidos de toda a ciência,
Haverá outra coisa mais premente
Do que salvar toda a gente,
Do que a nossa mera existência?

