Um Gelado Antes Do Fim Do Mundo
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Faixa #9 • 4:04 •

Letra de Flamingo

Refrão - Capicua

Quase cinza

Promessa de cisne, pato feio

Que não se transformou

Apenas cisma

Flamingo que desbotou

Ausência de cor e som

Verso 1 - Capicua

Eu estou minguante

Olho os livros da estante

Tão pouco tempo pa tanto

Queria ser mais do que só mãe

Lente de aumento

Está sensível ao momento, e bem

Mas é tormento se nem musa, nem tusa se tem

O cansaço é inimigo

Da poesia

O prazo respeito e no peito fico vazia

A rotina é veneno

Que nos mata devagar

Doses de tédio de manhã e ao deitar

Casamento desgastado nosso

Criou-se um fosso

Como se fosse o fundo do poço

E nós ponderamos o nosso divórcio

Mas não era tempo

Que ambas tivemos [?]

Nesse contratempo

Eu disse sempre que não é sensato

Seres meu sustento

Simplesmente não é avisado

Não é prudente

Ser totalmente sustentada

Ser dependente

Da música ou de um homem

Nah, é mau exemplo

Verso 2 - Capicua

No tecto do teatro S. João

De um lado está a música

E do outro a poesia

Ao palco como altar em oração

Eu tento súplica

Eu quero a escrita em dia

Há um tipo de tristeza

Que é carne viva

Para o coração

E suas pisaduras

Paras quais qualquer afago é uma provação

O toque é tortura

Eu perdi a candura

Sample

Os flamingos são conhecidos pela sua coloração habitualmente rosada

Que resulta de uma alimentação à base de crustáceos

Ricos em caroteno

Quando se reproduzem

Alimentam as suas crias com uma espécie de leite que geram no parto

Durante esse arduo processo

Vão perdendo o seu tom característico

Até ficarem com a cor totalmente esbranquiçada

E só quando finalmente os filhotes começam a comer sozinhos

Os flamingos recuperam a cor

Refrão - Capicua

Quase cinza

Promessa de cisne, pato feio

Que não se transformou

Apenas cisma

Flamingo que desbotou

Ausência de cor e som

Verso 3 - Capicua

É que eu páro verbo parir

Mas nunca páro do verbo parar

Não paro o verbo

E sem o verbo eu fico sem ar

Só presa ao pensamento

E é o que tem de ser

E não há um corpo

E quando há corpo

Só há dor

E não há o meu prazer

Verso 4 - Capicua

Eu li o livro do desassossego

Como quem já o percebe

E despi o optimismo que já não me serve

De manhã é sempre noite escura

Na minha cabeça

Em que a lua é uma unha

E o tempo tem pressa

Eu quero musica que inspiro

Eu deixo a porta aberta

E ele expõe mil palavras numa frase

E nenhuma é certa

Nunca acerta

Tanta letra

Tanta treta

Só profetas

Sem caneta

Sem ter pena

De poetas

Refrão - Capicua

Quase cinza

Promessa de cisne, pato feio

Que não se transformou

Apenas cisma

Flamingo que desbotou

Ausência de cor e som

Outro - Capicua

O Flamingo não é cor de rosa,

Torna-se!

O poema não nasce da prosa,

Forma-se!

E o cisne não nasce elegante,

Adorna-se!

A lua não é minguante,

Transforma-se!

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