Não é quantas vezes cais, é quantas te levantas
Quantas vezes sais para bulir até às tantas
Só vejo gargantas, quantas ilusões de artistas
Quantas enveredadas em palcos e entrevistas
Muitos destes putos não sabem o quanto custa
Torram dinheiro sem poupar para uma queda brusca
Meu deus até assusta, tal é o nível de ignorância
Faço uma prece por estes jovens no jardim de infância
Vejo a desinformação ser notícia do dia
Dessensibilização, dormência e apatia
No mundo digital a estupidez é gratuita
Na autostrada da informação a verdade não transita
Cancelamento humano, o brio do estatuto
Mais um milhão se seguidores.. figuras de culto
Mais um cego sem visão, já homem e adulto
Transmissão na audição.. O teu amigo oculto
Quem te disse que a vida era fácil
Podes crer, enganou-te bem
A montanha só te torna ágil
Se o topo não te faz refém
Quem te disse que a vida era fácil
Podes crer, enganou-te bem
A montanha só te torna frágil
Se é o topo que te faz refém
Não é quantas vezes cais, é quantas te levantas
Quantas vezes sais para bulir até às tantas
Para garantir que esse tecto se mantém intacto
Para garantir que esse feto nunca veja o saco
Para que a família não conheça a visita ao domingo
Quem joga com liberdade é raro fazer o bingo
Na chuva de azar é raro passar entre o pingo
Eu prefiro ‘tar na paz a fumar do cachimbo
A fazer da folha branca o meu único vício
E se for ‘pa partir ossos, que sejam do ofício
Com o foco do início e a mesma fome de sempre
Um passo do precipicio encaro a morte de frente
E sem temer avanço.. ‘Tamos todos na fila
E eu jamais me canso de pôr no mapa A Vila
Enquanto o céu cintila por quem partiu na luta
Carregas na mochila esse peso da culpa
Quem te disse que a vida era fácil
Podes crer, enganou-te bem
A montanha só te torna ágil
Se o topo não te faz refém
Quem te disse que a vida era fácil
Podes crer, enganou-te bem
A montanha só te torna frágil
Se é o topo que te faz refém

