Estou hoje vencido como se soubesse a verdade
Estou hoje lúcido como se estivesse para morrer
Não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida tornando-se esta casa, este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio e uma partida apitada de dentro da minha cabeça
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida
Quem vem do nada já conhece a lama
Manos sonham com a pasta, fica lá com a fama
Somos a voz de um povo que ficou afónico,
Inerte, na preguiça, na premissa, sou lacónico
Vento ciclonico que anuncia a mudança
Mesmo sem esperança tu avança
(Confiança)
Na herança deixo versos, grande parte submersos
Monge longe da ribalta manifesto subversos
(Sou)
Aquele puto que na escola não deu nada
Mais tarde voltou lá para inspirar na caminhada
(E)
Jamais marcado, sempre fui desenquadrado
Eu sou fora da caixa, se pensas encaixotado
(Vim)
Libertar a mente daquele que não tem visão
(Deus)
No comando, desliga a televisão
(Os meus)
Tou na função que lhes foi designada
Com foco na missão do respeito pela palavra
Porque quem não sabe é como quem não vê
Respeita a minha história eu luto com fé
Singular distante longe do clichê
O barco sem vela vai contra a maré
Porque quem não sabe é como quem não vê
Respeita a minha história eu luto com fé
Eu luto com fé
Quem vem do nada já conhece a lama
Manos sonham com a pasta, fica lá com a fama
Somos o grito contido de um povo subnutrido
D’um povo submetido do berço até ao jazigo
Prestação é vitalicia para quem procura um tecto
Tanto suor e sofrimento por tijolo e concreto
(Nós vamos)
Gastar o tempo naquilo que valha a pena
Poupar a mente e o corpo, saude e tempo de antena
No nosso ecosistema o crescimento é sustentável
O sorriso da hiena jamais será confiável
(Acorda)
Na parada não marchas no tempo certo
Avante camarada porque o longe faz-se perto
(Faz desperto)
Olho aberto pois nada aparece feito
Quem não verga a mola, só pede esmola e só põe defeito
(Por respeito)
Findo aqui a minha tese
Deixo a minha prece
Por quem muito fala e nada faz ou acontece
Porque quem não sabe é como quem não vê
Respeita a minha história eu luto com fé
Singular distante longe do clichê
O barco sem vela vai contra a maré
Porque quem não sabe é como quem não vê
Respeita a minha história eu luto com fé
Eu luto com fé
Quem não vê
Eu luto com fé
Longe do cliché
Vai contra a maré
Quem não vê
Eu luto com fé
Eu luto com fé-é-é

