[Verso 1]
Se uso o privilégio só p'ra poder ’tar calado
Assim no meu quadrado
Não me vou queixar quando cair em mim o fardo
Quando me calhar a fava
E se esse bolo rei traz outros dentes agarrados
Tudo a cair aos bocados
É porque a dentadura dá mais jeito
Tão mais jeito do que tê-los arranjados e lavados
E love há de ser mais xtinto do que aquilo que tenho escrito
Quando me pedem p'ra assinar o nome do meu batizado
Não é digno, eu não digo nada
Se o meu fado sabe ser tocado sou bom tuga p'ra afirmar
[Refrão]
Que nada é assunto meu (Oi)
Não meto a colher (Oi)
Não meto o nariz
Ai, não é assunto meu
Entrе marido e mulher é que sе faz um país
Mas não é assunto meu
Ninguém me perguntou se quero ou nascer ou ’tar aqui
Ai, não é assunto meu
Ai, não é assunto meu (Oi)
[Skit]
Passados 50 anos, era preciso outro 25 de abril para acabar com a escumalha toda que anda por aí
[Verso 2]
Eu saio à rua de chinelo e robe
De cara trancada, sai daqui, tu não me abordes
Escarra na calçada que eu cá mando nesta casa
'Tá calado, se eu 'tou a dormir não me acordes
Eu que domino os acordes
Sei de tudo, sei o plano
Sei do mundo que ele é plano
Até domingos sei de cor
Conta tudo que eu emprenho pelos ouvidos
Pelos olhos, pelo nariz e pelos cornos
Que eu já calculo o tamanho
[Refrão]
Mas não é assunto teu (Oi)
Não meto a colher (Oi)
Não meto o nariz
Ai, não é assunto meu
Entre marido e mulher é que se faz um país
Mas não é assunto meu
Ninguém me perguntou se quero ou nascer ou 'tar aqui
Ai, não é assunto meu
Ai, não é assunto meu (Oi)

