Cuíca

Menina

Cuíca

Featuring: Carolina Deslandes
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Faixa #13 • 3:23 •
Instrumental: Mar •

Letra de Menina

[Introdução: MAR]

Quem vive no convento

É que sabe o que vai lá dentro

Deixa a ferida airar, e a cura ao sabor do vento

Liberta essa criança magoada e sem alento

Dá-lhe voz porque é daí que vem o teu talento

[Refrão: MAR]

Se tu não lhe ensinares, como queres que ela aprenda?

Se não a protegeres, como é que queres que se defenda?

Ela tava tão trancada, prеcisa d'uma chave de fendas

Põе-te mãos à obra, dá-lhe amor e não te ofendas

[Verso 1: MAR]

Há palavras que vêm a mal e conselhos que vêm por bem

Não podes escolher ouvir apenas o que te convém

Afinal de contas, quem se pica, agulhas tem

Então se 'tou a sangrar tenho de saber d'onde é que vem

Após o meu pai falecer, a nossa casa ficou fria

Ficámos nós as duas, mas sozinha eu me sentia

A minha mãe não tinha condições, é que ela nem sabia

Como curar-se a si, quanto mais à sua cria

Passado um par de anos, entrou um homem cá em casa

Ela encontrou alguém que preenchesse a nossa sala

Quem diria, naquele momento, que viria a maltratá-la?

Com o passar do tempo e a cada garrafa vidrada

Ele virou tudo do avesso, o ar tão espesso, que nem respirava

O primeiro problema era eu

Pois passámos a ser as duas, apesar da casa ser nossa, nós é que tínhamos de ir p'á rua

[Refrão: MAR]

Se tu não lhe ensinares, como queres que ela aprenda?

Se não a protegeres, como é que queres que se defenda?

Ela tava tão trancada, precisa d'uma chave de fendas

Põe-te mãos à obra, dá-lhe amor e não te ofendas

[Verso 2: Carolina Deslandes]

Se me perguntares como é que eu 'tou, eu vou te dizer que 'tou bem

Mas se queres saber a verdade, eu ainda não recuperei

Do dia em que o meu pai saiu e deixou a minha mãe

Eu vi-a chorar um rio sem saber nadar, mas hoje sei

Eu sou filha de em filho da branca e da meia laranja

De um casal que era ventoso, mesmo quando o vento abranda

Dos gritos e do desgosto, de uma mulher que o ama

E depois dele sair, não sabia sair da cama

A minha mãe foi mãe e pai, mesmo de coração partido

E se um dia a julguei, hoje quero aprender com isso

O meu pai tá limpo e recebe-me com um sorriso

Achei que quando fosse mãe ele já nem estaria vivo

Por isso, peço desculpa se a minha dor os ofende

Mas a menina que fui ainda 'tá viva cá dentro

Tem medo do abandono e tem medo do casamento

Por isso é que ando longe e às vezes não vos atendo

Há uma voz que ecoa e me diz p'ra ser prudente

Porque a mágoa que é de sangue ainda faz sangrar a gente

Prefiro virar a cara e não ver o trauma de frente

Porque a mulher perdoa, a menina não vos entende

[Ponte: MAR]

Também julguei minha mãe

Foi nela que me tornei

Quem tinha menos p'a dar foi a quem tudo eu dei

Fiz-me tão pequena e, me'mo assim, não encaixei

O efeito da dor muda, desta vez fui eu que me mudei

Ansiedade comia-me por dentro até p'a ganhar peso

Lutei

E hoje só agradeço pelo peso do qual me livrei

[Refrão: MAR, MAR & Carolina Deslandes]

Se tu não lhe ensinares, como queres que ela aprenda?

Se não a protegeres, como é que queres que se defenda?

Ela tava tão trancada, precisa d'uma chave de fendas

Põe-te mãos à obra, dá-lhe amor e não te ofendas

Se tu não lhe ensinares, como queres que ela aprenda?

Se não a protegeres, como é que queres que se defenda?

Ela tava tão trancada, precisa d'uma chave de fendas

Põe-te mãos à obra, dá-lhe amor e não te ofendas

Videoclip de Menina

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