[Intro]
Qual é a nossa narrativa afinal?
Filhos presos
Uma geração hipotecada
Não (Nanananana)
Eu não quero isso
Nós respeitamos a música
P’ra pudermos fazer dela um instrumento, uma arma
[Verso 1]
[?], foge em cana
Pega na tua cana e pesca
Sem receita a gente acerta
Faz a cama em que te deitas
Não há anjos nem demónios que travem a nossa bênção
Muitos tentam inverter o percurso mas não acertam
O teu espelho ‘tá partido, não reflete nada disso
É um misto de vícios que p’ra ti não é propício
Desde o inicio, lá nos becos estreitos dos nossos guetos
São o reflexo dos meus erros, a imagem dos meus acertos
Não aumento ausências, meu mano, eu brindo presenças
A educação é o prato principal na minha mesa
Com leveza enfrento sem estereótipos
Equilibro a life para os amigos fictícios (Fake)
A arte é o espelho e crónica da minha época
Hoje tenho réplicas idênticas à tua época
Vitória com glória, memória de quem partiu
Banda sonora e a história de quem nos viu
[Verso 2]
Uma noite de emoção e a gente entrega o corpo
Foge do emprego, dá trabalho depois de morto
O ódio vive no mesmo bairro que tu pensas que te ama
Reclamas de racismo e estragas toda a festa africana
Vaidoso, preguiçoso, mais 20 e somos idosos
Gozávamos o cota do lixo
Hoje somos lixo dos cotas do gozo
A sofrer de depressão, rodeados de campeões
A levantar prémios de compensação
No mesmo baile a decorar a mesma dança
A dançar com a justiça e a engravidar a vingança
À procura de um culpado, senhor estado é o passado
Incomodado que se retire, ou que se inspire em ser esforçado
Que mesmo com medo se atreve
Escola não é p'a todos, até os médicos fazem greve
Conheço advogados do Estado mal pagos
Justiça continua reservada a bolsos largos
[Refrão]
Espelho, espelho meu, te confesso
Por vezes nem eu sei se eu mereço
Será que já nascemos com defeito
Ou se essa marca vem do berço
Por vezes ponho-me a pensar (Pensar)
Será que há algo errado em mim? (Em mim)
Será que Deus me fez assim? (Assim)
Perguntas tenho sem fim
[Bridge]
A gente chora (Chora) e a seguir esquece tudo
A gente ora mas depois estraga o mundo
A gente peca (Peca) e depois pede a Deus
Queremos a terra mas pedimos aos céus
Diz-me, espelho meu, se temos cura
Diz-me, espelho meu, se temos salvação
Se a minha geração é rasca será que algo se aproveita?
Diz-me lá (Rahiz)
[Refrão]
Espelho, espelho meu, te confesso (Confesso)
Por vezes nem eu sei se eu mereço (Mereço)
Será que já nascemos com defeito
Ou se essa marca vem do berço
Por vezes ponho-me a pensar (Pensar)
Será que há algo errado em mim? (Em mim)
Será que Deus me fez assim? (Assim)
Perguntas tenho sem fim

