Andando pelos cantos da minha cabeça
Com os podres que encontro, é possível que adoeça
Às vezes bebo e fumo o que houver, não interessa
Desde que bata forte, desde que bata depressa
Eu fui às escolas, segui as regras não vi a luz
Raspei solas à procura desse tal Jesus
Não me safei, bem que tentei, só vislumbrei a cruz
Com tanta culpa que tinha debaixo do capuz
O mundo não tá feito para mim nem pra ninguém
Sorrio e aceno, bato e misturo bem
Vejo como é que tratam os que se desviam sem
Fazer mal algum só não se enquadram bem
Apatia como profilaxia
Escolhemos a broa para aguentar o dia
toda a gente tem a sua anestesia
sorrindo para o móvel com toda a empatia
Eu espero e faço, um compasso
Com cuidado, a ver se não me passo
Passo a passo
Eu espero e faço, um compasso
Jogo o jogo com sucesso e fracasso
Passo a passo
Andando pelos cantos da minha cabeça
A tentar parar com o barulho
antes que enlouqueça
Não preciso ouvir tanta gente e sentença
A raiva contagia
como a pior doença
Quando é que começámos a achar que era ok
Saber o que todos pensam
sem lei nem rei
Seria tão melhor eu não saber o que já sei
Guarda as opiniões, eu não tas perguntei
Não quero conhecer tanto as pessoas
Quanto mais as percebo mais sinto que não são boas
Não vejo só as caras, vejo as coroas
Vidas de criadas, mentalidade de patroas
Cuspo para cima, mijo contra o vento
À procura de uma rima que engane o pensamento
Quero a tua estima mais o teu consentimento
E uma obra-prima pra lhe atirar excremento
Eu espero e faço, um compasso
Com cuidado, a ver se não me passo
Passo a passo
Eu espero e faço, um compasso
Jogo o jogo com sucesso e fracasso
Passo a passo

